Belíssimo. É tão radical que nos faz perceber que ser espectador pode ser também um acto radical, quer dizer, de retorno à raíz as imagens e à sua claridade primitiva.
-João Lopes, DN
Ariane vive em casa de Simon, num grande apartamento parisiense, sob vigilância. Ele quer saber tudo sobre ela, acompanha-a onde quer que ela vá, procura surpreendê-la e submete-a a incessantes perguntas. Mas apesar disso, Ariane consegue arranjar para si um espaço de liberdade física e mental. Enquanto isso Simon sofre e, até nos momentos em que pensa possuí-la completamente, ela escapa-lhe cada vez mais. O facto de saber que Ariane sente uma grande atracção por mulheres, leva-o a imaginar que ela tem uma vida dupla, e só serve para aumentar o seu sofrimento e o seu desejo por ela. Mas não é apenas a atracção de Ariane por mulheres, nem as diferenças entre sexos que tornam os seus pedidos impossíveis - pedidos de fusão total, de osmose, de um desejo obsessivo de penetrar completamente a subjectividade do outro. É também o facto de que o outro é um outro, irrefutavelmente outro. O outro é um estranho e Ariane permanecerá sempre impenetrável para ele. É uma história de dois amantes. E por isso mesmo uma história trágica.
Sylvie Testud, Stanislas Merhar, Olivia Bonamy, Liliane Rovère, Bérénice Bejo, Aurore Clément, Anna Mouglalis, Xavier Morange, Françoise Bertin, Vanessa Larré, Samuel Tasinaje, Jean Borodine, Adeline Chaudron, Sophie Assante, Christophe Gendreau, Sébastien Haddouk, Stanislas Januskiewicz, Laurence Guillet, Pascal Erizabal, Claude Hermann
