Uma cidade costeira no norte de Espanha que há muito virou costas ao campo e rodeou-se de indústrias que a fizeram crescer desproporcionada, aos solavancos, alimentando-a de imigrantes e trabalhadores e desenhando-lhe um horizonte de chaminés, arestas e esperanças, de futuros desenraizados. Um grupo de homens percorre dia-a-dia as suas
ruas íngremes, em busca de saídas de emergência para a vida. Trapezistas de fim de
mês e de início de mês também, trapezistas sem rede e sem público, sem aplausos no final que atravessam diariamente a corda bamba do trabalho precário, que aparam a existência com andaimes de esperança e fazem das suas poucas alegrias trincheira, conversa, rotina, como se não fosse seu o naufrágio com que cada dia se debatem. Tudo isto enquanto falam da suas coisas e se riem, de tudo e de nada em especial, esperançosos, tranquilos, numa manhã de Segunda-feira ao sol...
