Nunca, talvez, como nesta obra, Bresson tenha ido tão longe na defesa da sua ideia de que "o cinematógrafo é a arte de não mostrar nada".
-João Bénard da Costa
Não seremos capazes de admitir que alguns homens capazes, dotados de inteligência, talento e até mesmo génio, e indispensáveis à sociedade, em vez de estagnarem, não deveriam, em certos casos, ser livres de desobedecer à lei? Michel pensa assim. E acredita nisto de tal forma que, em vez de seguir o conselho do seu bom amigo Jacques e procurar um emprego, aventura-se e inicia uma carreira de carteirista. E, mesmo apesar das suspeitas do comissário da polícia que o tem em permanente vigilância, Michel vai aperfeiçoando de dia para dia as suas técnicas e tornando-se eufórico perante cada novo sucesso. Vagamente baseado em "Crime e Castigo" de Fiodor Dostoievski, O CARTEIRISTA, uma das grandes obras de Robert Bresson, suplanta e isola-se do romance do escritor russo para abordar dois dos temas recorrentes no cinema do realizador francês, a questão da culpa e da redenção.